terça-feira, 20 de outubro de 2009

As praças centrais de Anápolis


Praça James Fanstone em 1936 e em 2008. Escolhi a imagem dessa praça pois é para mim, uma praça que possui desenho e projeto condizente com um lugar destinado ao encontro de pessoas - está sempre cheia de pessoas nos bancos, sob as árvores, conversando ou passando o tempo. Possui um coreto que abriga uma
lanchonete e o espaço dela é bem definido pelas construções que a envolvem - temos a nítida impressão de um espaço acolhedor (na escala do pedestre).


Estive fazendo uma pesquisa para o mestrado na biblioteca da Universidade Federal de Goiás quando achei um artigo entitulado:" As praças centrais de Anápolis: Espaços de Memória e Identidade Urbanas"- publicado na revista Plurais, v.2, 2005. O título me chamou a atenção, tirei cópia e trouxe para ler. Superficialmente, fala da decadência dos centros das cidades para introduzir a idéia de que em Anápolis está ocorrendo o fenomêno da descentralização. Posteriormente, trata do uso que as pessoas fazem das praças também muito superficialmente (territorialidade e blablabla). Em um parágrafo para cada praça, cita grupos de usuários em cada espaço eleito para "análise" - todos esteriotipados. Em algum lugar do texto, nos espanta, a colocação da autora: "as praças que outrora consistiam em espaços de lazer destinados à festas, manifestações culturais, hoje correspondem ao espaço preferencial de um segmento de poder aquisitivo baixo que não usufrui dos espaços modernos dessa cidade". Então, as praças não são espaços modernos... ou seriam espaços que não sofreram modernização? São relegadas ao uso apenas pelas pessoas de poder aquisitivo baixo, então será que ao contrário da idéia preconceituosa de decadência apresentada inicialmente pela autora, na realidade elas ainda apresentam vitalidade, só não são mais espaços eleitos pela camada mais alta da população?
As praças citadas são: Praça Santana, Praça das Mães, Praça Americano do Brasil, Praça James Fanstone, Praça Oeste, Praça 31 de Julho e Praça do Ancião. Ao classificar os usuários em idosos, hippies, comerciantes informais, taxistas, travestis, prostitutas, homossexuais, drogados etc; a autora chega às considerações finais:
"a história da praça é aquela delineada pela concepção da forma e a história dos indivíduos, usuários que produzem o espaço... As praças de Anápolis legitimam-se no movimento contraditório de resistências, compostas por pequenas formas de apropriação, em meio às coações de consumo".
As praças são redutos de resistência? (socorro!)
As praças são para usufruto de toda a população, são espaços livres abertos e públicos. Só deviam estar sendo prioridade do planejamento urbano de Anápolis. Deveriam estar sendo requalificadas (revitalizar não é o que se está fazendo por lá, não é trocar o pavimento ou cortar o capim e colocar alguns bancos novos. nãó é o que diz as placas colocadas nas praças, pois "revitalização" é trazer vida a um lugar morto e elas estão longe de serem locais mortos) para serem ambientes públicos para o convívio social sem distinção. Inacessíveis, inadequadas e deterioradas se tornam apenas lugares depreciados, abandonados. Ainda assim, pessoas utilizam suas áreas de sombra pra um descanso, suas áreas em mau estado para montar uma banca e comercializar produtos, seus estacionamentos para criar pontos de táxi, suas áreas vazias para fazer exposições, festas...

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